Adriana Accorsi representa Goiás em simpósio sobre importância da mulher na política

O evento teve o objetivo de discutir uma maior participação das mulheres no Legislativo, o empoderamento feminino e a igualdade de gênero na política.

A capital goiana recebeu nesta quinta-feira, 26, o 2º Simpósio “A importância da mulher na construção de um Parlamento democrático”. O evento teve o objetivo de discutir uma maior participação das mulheres no Legislativo, o empoderamento feminino e a igualdade de gênero na política. Diversas lideranças femininas marcaram presenças. A deputada Delegada Adriana Accorsi representou a ALEGO no evento, cuja a iniciativa é do senador goiano Luiz Carlos do Carmo (MDB). 

O simpósio teve lugar no Centro de Cultura Oscar Niemeyer, no Palácio da Música Belkiss Spenzièri. Essa edição foi realizada também em Valparaíso, Jataí, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. 

Palestras

A deputada Delegada Adriana Accorsi (PT) ressaltou em sua palestra a importância das mulheres chegarem aos espaços de poder e decisão, fortalecer estruturas e garantir acesso aos seus direitos. “Nós mulheres, somos aquelas mulheres que morreram lutando pelos seus direitos em 1911, naquele lendário protesto que fez surgir o Dia da Mulher. Nós morremos todos os dias, seja simbolicamente, quando somos discriminadas, quando temos os nossos direitos desrespeitados, suprimidos, quando somos privadas dos nossos sonhos, das nossas potencialidades. Morremos também, literalmente, todos os dias, por crimes violentos de homens que não se conformam com a separação, namorados ciumentos, estupradores, homens misóginos. Somos o segundo estado com mais casos de feminicídios no Brasil. Isso é preocupante e os nossos direitos precisam ser respeitados.”

A desembargadora do Tribunal de Justiça, Beatriz Figueiredo, disse no evento que as mulheres precisam ter voz e lutar para a aprovação do projeto do senador Luiz do Carmo. “As mulheres precisam votar em mulheres, nós temos estrutura para exercer qualquer carreira, nós somos muito mais versáteis que os homens. Além de trabalhar, cuidamos dos filhos, da casa e muitas vezes temos mais de um emprego. Nosso objetivo é fazer com que a mulher tenha consciência política e lute para ser ouvida. Ninguém melhor que nós mulheres para sabermos das nossas dificuldades, nós sabemos os preconceitos que sofremos todos os dias’’, disse.

Representatividade

A pró-reitora da PUC-GO, Márcia de Alencar Santana, afirmou que as mulheres só vão parar de votar em homens que não as representam, quando outras mulheres forem candidatas a apresentarem propostas com políticas voltadas para mulheres.

“Não podemos ter um Poder Legislativo que tenham representantes que estão lá por poder aquisitivo. O Parlamento tem que nos representar, nós estamos aqui para lutar, nosso passado é de luta e nós só vamos ter um futuro, se nós lutarmos’’, disse Márcia.

A vice-reitora da UFG, Sandramara Matias, apresentou uma série de dados e mostrou um levantamento da União Interparlamentar que indica que o Brasil caiu 18 posições no ranking sobre a presença das mulheres nos parlamentos nacionais, considerando 193 países. 

Ela mostrou ainda que os 30% de cotas para as mulheres foi um passo importante, mas não conseguiu resolver a questão, pois garante que as mulheres estejam presentes nos partidos, mas não garante que elas sejam eleitas, porque, em geral, não são as mais votadas, demonstrando os reflexos das desigualdades entre homens e mulheres.

‘‘A UFG apoia essa causa, pois é uma universidade que promove a inclusão, que respeita as diferenças, que valoriza e promove o papel das mulheres nos diferentes espaços das instituições. A presença da mulher no Parlamento é fundamental, pois, para enfrentar problemas diversos, é preciso de pessoas plurais, com diferentes olhares que possam ampliar e aprimorar a visão e a metodologia de trabalho nesses espaços. As mulheres brancas, negras e indígenas são essa pluralidade que estão praticamente ausentes da política’’, concluiu Sandramara.

Desigualdade

A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Alves Miranda, afirmou em sua fala, que as mulheres são 50% da população, mas nas últimas legislaturas, 459 deputados federais homens foram eleitos contra apenas 52 deputadas federais mulheres. ‘‘Quando avaliamos o ingresso das mulheres por concurso público, elas conquistam 50% das vagas, mas quando medimos o índice de mulheres em função de poder no serviço público, temos apenas 18%. Na OAB, as mulheres são a maioria, mas a instituição nunca foi presidida por uma mulher. As mulheres trabalham 7,5 horas a mais do que os homens e ganham 50% menos do que eles. Se fossemos medir pelo nível educacional, as mulheres deveriam ganhar 11% mais do que os homens, pois estudam mais do que eles’’, afirmou a ministra.

A deputada federal Flávia Morais (PDT) destacou que sabe o tamanho do desafio de ter mais mulheres na política. ‘‘As mulheres têm avançado muito, são a maioria nas universidades, nas escolas estão passando em vários concursos, ocupando com muita competência os cargos de chefia, mas ainda temos dois grandes desafios, que é o combate à violência contra mulher, que é uma mancha que a nossa sociedade carrega em pleno século XXI, e o outro, é ampliar a participação das mulheres na política. Esse debate de hoje é de extrema importância para todos que estão aqui, para que possamos discutir ideias e sobre o projeto’’.

O senador Luiz do Carmo (MDB), autor da iniciativa, chamou a atenção para o projeto de lei 2.235/19, de sua autoria que reserva 30% das vagas do Poder Legislativo para mulheres, assunto que foi um dos temas de discussão do evento e levantou debates a respeito. “Pretendemos reverter a situação absurda que assistimos hoje, em que várias cidades não possuem sequer uma representante mulher, embora a maioria da população brasileira seja do sexo feminino”, afirmou o senador.

O evento contou com a presença das palestrantes: Deputada estadual Delegada Adriana Accorsi (PT), vice-reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), Sandramara Matias; coordenadora do Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher da Defensoria-Pública de Goiás, Gabriela Hamdan; ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Alves Miranda; deputada federal Flávia Morais (PDT); presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-GO, especialista em Direito Administrativo e mestre em Direito Agrário pela Universidade Federal de Goiás, Ariana Garcia; pró-reitora de Extensão e Apoio Estudantil da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Márcia de Alencar; vereadora Léia Klébia (PSC); filósofa e escritora francesa, PHD em filosofia política, sociologia e ética aplicada, Gisèle Szczyglak; desembargadora do Tribunal de Justiça de Goiás e membro da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica, Beatriz Figueiredo; atriz, modelo, ativista e empresária, Luiza Brunet; procuradora de Justiça, Yara Alves; e a pesquisadora e socióloga graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), e ativista política, Avva Santiago.

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